O sindicato de pilotos e pessoal técnico Alter relatou o episódio num boletim interno, em tom irônico. "Os A340, assim como os Boeing 747, fazem sua principal revisão anual em Xiamen, na China, e o resultado fica à altura das ambições da nossa empresa", diz o texto assinado pela área técnica da companhia francesa. "Ultimamente, o aparelho F-GLZR retornou da China e voou durante alguns dias sem um terço dos parafusos de um painel de revestimento", informa o comunicado.
O A340 partiu da China no dia 10 de novembro com destino ao aeroporto Charles de Gaulle, na região parisiense. O problema só foi detectado no dia 15, depois que o painel de revestimento começou a se deslocar. O painel afetado pela falta de parafusos ficava entre a asa direita e a fuselagem, em uma zona não pressurizada, segundo a Air France.
Um porta-voz da companhia confirmou o incidente, acrescentando que a direção abriu uma investigação interna para apurar as responsabilidades. A Air France afirma, porém, que em nenhum momento a ausência dos parafusos colocou em risco a segurança dos voos.
A manutenção do Airbus A340 foi executada na China pela empresa Taeco, que também presta serviços de revisão para Lufthansa, British Airways, American Airlines, JAL, Emirates, entre outras. Há pelo menos 4 anos a Air France tem a Taeco entre seus fornecedores.
Um especialista em aeronáutica confirmou à agência de notícias France Presse (AFP) que o painel em questão de fato não era uma peça estrutural do avião. O especialista ponderou, no entanto, que "como se trata de uma peça bastante pesada, e pela sua localização, pode-se imaginar que em algumas circusntâncias precisas o painel poderia se desprender e se chocar contra outra peça importante" do aparelho.
O sindicato Alter deplorou a falha de manutenção, lembrando que no ano passado um Boeing 747-400 também precisou ser imobilizado depois de passar por uma revisão malfeita na China. Nesse caso, algumas paredes do avião tinham sido pintadas com tinta inflamável.
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